
PARTE 2
- Contra-mestre! Precisamos do mestre-calafate!
- Hum... – fez o outro.
- Há um buraco no casco, na coberta inferior.
Em contraste com a urgência dos dois marinheiros, o contramestre parecia não se interessar pela informação.
- Ouvi alguém falar do mestre-calafate. Dizem que ele estava no bote destroçado pelas ondas. Pode ter sido assim que ele morreu... ou pode ter sido de outra forma...
- Por favor, senhor, o navio está fazendo água... sabe se algum ajudante dele sobreviveu?
- Não, não sei. Vocês podem perguntar por aí, mas até terem feito isso, o navio já estará no fundo e todos nós no inferno.
O contramestre riu, sarcástico.
- Mas talvez os dois garotos queiram salvar suas almas das garras do diabo. Arranquem uma parte do velame e arranjem um pouco de madeira pequena. Creio que terão de consertar isso vocês mesmo...
- Mas... isso é serviço para profissionais.... – objetou Pedro.
- Agora vocês são os profissionais. Se é tão importante assim, terão que aprender a fazê-los vocês mesmo...
Pedro abanou a cabeça, mas Jean Pierre o puxou.
- Vamos, temos que tentar!
Percorreram o convés. Havia muito velame e pedaços de madeira espalhados pelo chão, restos do choque com o animal estranho na noite anterior.
Pegaram o que precisavam e desceram para a primeira coberta. A água já dominava o compartimento e provavelmente já estragara boa parte da comida.
Num ímpeto, Jean Pierre avançou com a lona do velame, tentando cobrir o buraco, mas a vazão da água era muito forte, e ele não resistiu.
- Não dá! Não vamos conseguir!
- Talvez seja possível se calçarmos a lona com madeira e batermos nela... – sugeriu Pedro.
Fizeram isso. Envolveram um pedaço comprido de madeira com lona e prepararam um pedaço maior e mais pesado para servir de martelo. O resultado foi colocado sobre a vazão da água.
- Temos que ser rápidos. Quando eu falar!
A um sinal, os dois empurraram a madeira e Pedro martelou-a contra o buraco. A pressão era forte, mas aos poucos foi cedendo aos esforços. Em pouco tempo o buraco estava tampado.
- Isso não ficou bom, mas serve. – disse Jean Pierre, e sentou-se no chão molhado, exausto com o esforço.
Pedro sentou-se ao seu lado. Não tinham tido tempo para pensar na sua situação e ali, sentados, puderam finalmente refletir.
- Manuel disse que estamos perdidos! – disse Jean-Pierre.
- Você talvez esteja perdido. – atalhou Pedro. Eu estou com fome. Vou pegar um pouco de queijo e vinho.
Jean-Pierre segurou seu braço:
- A comida não vai durar para sempre...
- Então é melhor aproveitar enquanto ainda existe comida...
Disse isso e levantou-se. Foi até a despensa e retirou de lá uma garrafa de vinho. Vinho bom, dos oficiais, não a lavagem que bebiam normalmente. Depois pegou um queijo, aquele que lhe pareceu melhor e subiu. Jean-Pierre foi com ele, mas não subiu ao convés. Foi pelo corredor na direção dos camarotes da proa.
Como imaginou, a porta estava aberta.
A mulher de branco estava sentada em uma cadeira, olhando pela janela. Seus longos cabelos negros deslizavam por seus ombros. As mãos estavam pousadas sobre o colo.
- Trouxe vinho e queijo para você. – disse Jean Pierre.
Deu alguns passos e colocou a garrafa e o queijo sobre uma mesinha, ao lado da cadeira.
- Vai precisar de uma faca? Um copo talvez? Que idiota eu sou... não trouxe um copo!
A mulher não respondeu. Somente olhou para ele com olhos perdidos. Eram olhos azuis, tão profundos e perigosos quanto o mar.
- Je parle Française? – indagou Jean Pierre, mas a mulher não respondeu novamente. Apenas continuou olhando com seu olhar perdido.
- Contra-mestre! Precisamos do mestre-calafate!
- Hum... – fez o outro.
- Há um buraco no casco, na coberta inferior.
Em contraste com a urgência dos dois marinheiros, o contramestre parecia não se interessar pela informação.
- Ouvi alguém falar do mestre-calafate. Dizem que ele estava no bote destroçado pelas ondas. Pode ter sido assim que ele morreu... ou pode ter sido de outra forma...
- Por favor, senhor, o navio está fazendo água... sabe se algum ajudante dele sobreviveu?
- Não, não sei. Vocês podem perguntar por aí, mas até terem feito isso, o navio já estará no fundo e todos nós no inferno.
O contramestre riu, sarcástico.
- Mas talvez os dois garotos queiram salvar suas almas das garras do diabo. Arranquem uma parte do velame e arranjem um pouco de madeira pequena. Creio que terão de consertar isso vocês mesmo...
- Mas... isso é serviço para profissionais.... – objetou Pedro.
- Agora vocês são os profissionais. Se é tão importante assim, terão que aprender a fazê-los vocês mesmo...
Pedro abanou a cabeça, mas Jean Pierre o puxou.
- Vamos, temos que tentar!
Percorreram o convés. Havia muito velame e pedaços de madeira espalhados pelo chão, restos do choque com o animal estranho na noite anterior.
Pegaram o que precisavam e desceram para a primeira coberta. A água já dominava o compartimento e provavelmente já estragara boa parte da comida.
Num ímpeto, Jean Pierre avançou com a lona do velame, tentando cobrir o buraco, mas a vazão da água era muito forte, e ele não resistiu.
- Não dá! Não vamos conseguir!
- Talvez seja possível se calçarmos a lona com madeira e batermos nela... – sugeriu Pedro.
Fizeram isso. Envolveram um pedaço comprido de madeira com lona e prepararam um pedaço maior e mais pesado para servir de martelo. O resultado foi colocado sobre a vazão da água.
- Temos que ser rápidos. Quando eu falar!
A um sinal, os dois empurraram a madeira e Pedro martelou-a contra o buraco. A pressão era forte, mas aos poucos foi cedendo aos esforços. Em pouco tempo o buraco estava tampado.
- Isso não ficou bom, mas serve. – disse Jean Pierre, e sentou-se no chão molhado, exausto com o esforço.
Pedro sentou-se ao seu lado. Não tinham tido tempo para pensar na sua situação e ali, sentados, puderam finalmente refletir.
- Manuel disse que estamos perdidos! – disse Jean-Pierre.
- Você talvez esteja perdido. – atalhou Pedro. Eu estou com fome. Vou pegar um pouco de queijo e vinho.
Jean-Pierre segurou seu braço:
- A comida não vai durar para sempre...
- Então é melhor aproveitar enquanto ainda existe comida...
Disse isso e levantou-se. Foi até a despensa e retirou de lá uma garrafa de vinho. Vinho bom, dos oficiais, não a lavagem que bebiam normalmente. Depois pegou um queijo, aquele que lhe pareceu melhor e subiu. Jean-Pierre foi com ele, mas não subiu ao convés. Foi pelo corredor na direção dos camarotes da proa.
Como imaginou, a porta estava aberta.
A mulher de branco estava sentada em uma cadeira, olhando pela janela. Seus longos cabelos negros deslizavam por seus ombros. As mãos estavam pousadas sobre o colo.
- Trouxe vinho e queijo para você. – disse Jean Pierre.
Deu alguns passos e colocou a garrafa e o queijo sobre uma mesinha, ao lado da cadeira.
- Vai precisar de uma faca? Um copo talvez? Que idiota eu sou... não trouxe um copo!
A mulher não respondeu. Somente olhou para ele com olhos perdidos. Eram olhos azuis, tão profundos e perigosos quanto o mar.
- Je parle Française? – indagou Jean Pierre, mas a mulher não respondeu novamente. Apenas continuou olhando com seu olhar perdido.